
Ao longo da vida, muitas vezes aprendemos — de forma silenciosa — a nos ajustar.
A ceder um pouco aqui, a silenciar ali,
a compreender mais do que somos compreendidos.
E, sem perceber, vamos nos moldando…
até que um dia nos damos conta de que já não cabemos mais em nós mesmos.
Existe um momento — e ele não tem idade —
em que amadurecer deixa de ser sobre suportar
e passa a ser sobre escolher.
Escolher o que fica.
Escolher o que não cabe mais.
Escolher, sobretudo, não se abandonar para manter vínculos.
Porque há um custo invisível em se diminuir constantemente:
a perda de si.
E nenhuma relação, nenhum espaço, nenhum reconhecimento
vale esse preço.
Hoje, mais do que nunca, entendo:
crescer também é estabelecer limites silenciosos,
reposicionar afetos
e honrar a própria história — sem precisar caber na expectativa de ninguém.
Eu não preciso mais me diminuir para caber na vida dos outros.
— Aparecida Elisabete Pontes
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